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domingo, 18 de outubro de 2009

Politização da mídia

Por Ronaldo Bicalho

O Carlos Castilho colocou em seu blog no Observatório da Imprensa um post (A imprensa entre o “quarto poder” e o “quarto partido”) em que ele pela primeira vez aborda diretamente o tema da politização da imprensa.

Algumas passagens valem a pena serem ressaltadas:

“está ficando cada vez mais claro que os conglomerados empresariais da mídia estão decididos a levar seu esforço de sobrevivência também para o terreno da política institucional, transformando o conceito de “quarto poder” de um poder vigilante para um poder participante, ou seja, um partido político de fato e não de direito.”

“O que se nota é que a estratégia de sobrevivência passa pela politização da imprensa na medida em que esta trata de alavancar seus interesses imediatos por meio da pressão política — seja de forma direta, como é o caso do canal Fox News, seja pela aliança com partidos conservadores, como é o caso da Itália, Venezuela e até mesmo da Inglaterra.”

“No Brasil, a oposição dos grandes jornais e emissoras de televisão ao governo do presidente Lula já ultrapassou os limites da função fiscalizadora que fundamentava a idéia de “quarto poder”. Passou a ser uma estratégia para tentar esticar o mais possível os benefícios estatais à mídia visando ganhar tempo para a reorganização corporativa destinada a manter posições do jogo político na nova realidade digital.”

“Esta é a única explicação possível para a grande imprensa nacional “pegar no pé” de Lula por qualquer motivo, mesmo admitindo que o empresariado nacional não tem queixas maiores do presidente e que o governo do PT deu ao setor privado tudo aquilo que ele queria e muito mais. Não se trata de uma trama golpista, que alguns estigmatizaram na sigla PIG (Partido da Imprensa Golpista), mas de uma ação calculada dentro do jogo do poder.”

“Em sua estratégia de ação partidária para sobreviver à crise estrutural da mídia, a imprensa corre risco de deixar de ser vista como um vigilante “quarto poder” para se transformar num “quarto partido” , tão desacreditado quanto os demais.”

Das afirmações do texto, eu acho que a que mereceria um reparo é aquela em que o autor se esquece de que golpes também são ações calculadas dentro do jogo de poder.

Leia na íntegra http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id={81D17482-689C-4B11-87CC-9B060D00C753}&id_blog=2

Leia texto de Manuel Castells sobre o mesmo assunto http://pelenegra.blogspot.com/2008/01/era-da-intercomunicao.html

Um comentário:

Harley disse...

Pois é meu caro companheiro Luciano, assim como o eleitor não é bobo mais, o leitor está cada vez mais consciente e sabe distinguir quais são as propostas e o comprometimento dos grandes veículos de comunicação de massa do país. Num estado democrático de direito em que vivemos, ainda existe censura no país. Exemplo disso, o jornal o Estado de São Paulo está sob censura há mais de 70 dias. E ninguém vê isso, ou não quer resolver também