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Sofrer com a angústia ou, a alegria de existir?

Por Luciano Alvarenga

"A angústia resulta de confiar naquilo que não somos"

As festas e o consumo de álcool, e drogas outras também, já desde muito vinham anunciando um medo angustiante que se alastrava entre nós. A quantidade de festas, happy hours, regadas a álcool e drogas de todo tipo foram se incorporando em nossa existência na impossibilidade de canalizarmos nossa angústia afetivamente. Bebo pra esquecer meu sofrimento. Angústia é filha do medo. O medo é a expressão da falta de controle, da impossibilidade de ser dono do que pode me acontecer. Esse medo pode ser de um adolescente que ama e teme as consequências desse amor; de um jovem que teme não encontrar seu lugar na sociedade; dos adultos que não conseguem encontrar sentido na vida que levam. Mas a saída está mais perto de nós do que pensamos. Cercados de todo tipo de seguro, seja no condomínio fechado, na saúde privada, na quantidade de dinheiro que se consegue ganhar, no carro que me garante um imagem socialmente rec…
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Ano Sabático

Nossas vidas se compõem de ciclos de nascimento, amadurecimento e morte. Mais importante que a morte derradeira, é saber morrer todos os dias, de todas as experiências, de tudo que se viveu ao longo do tempo que passa. Deixar passar, deixar morrer, e quem não faz isso carrega um cadáver consigo por onde anda. Vive morto um tempo que não é mais. Sou dado a vida. Como disse alguém, ou você está ocupado morrendo todos os dias, ou está renascendo. É nesse sentido que inicio nesse mês de julho um ano sabático. Sair de cena, colocar-se ao largo do caminho, retirar-se da manada. Olhar de longe, de cima, do alto a vida que passa. Conectar comigo mesmo meu eu mais profundo, dar-lhe voz, ouvi-lo, saber sua demanda, senti-lo. Faço isso no meu melhor momento. Parto agora com o terreno preparado, pra cultivá-lo. Pra isso faz-se necessário o afastamento. Silêncio. Peço licença aos amigos e colegas, admiradores do meu trabalho, pessoas que tornam meu cotidiano tão doce e aprazível, que me desculpem a …

Geografia da Crise

Por Luciano Alvarenga

Quando nos sentimos perdidos e desbussolados, quando o norte deixa de marcar o horizonte, cresce a necessidade, às vezes às raias da insanidade, de encontrar algum elemento, um alvo, uma explicação pra situação e sentimentos que estamos vivenciando. Isso pode se dar tanto no que se refere ao indivíduo, quanto a um grupo, não raras vezes numa nação inteira. Tal é a situação que penso estarmos vivendo como país, nesse momento. O descontrole da violência nas grandes cidades, a cultura de feiura e do baixo nível no universo artístico, a drogatização pesada em amplas margens de adolescentes, a drogatização “leve” dos adultos, a auto-ministração de remédios controladores de humor e comportamento entre crianças, jovens e adultos; tudo isso somado a percepção, de que nossas lideranças políticas e sociais se divorciaram da realidade concreta e subjetiva das pessoas que formam a comunidade da nação, nos encaminha a todos à busca desesperada pelo bode que nos expie. Apontar cu…

Freio de mão puxado

Por Luciano Alvarenga
Demora algum tempo pra percebemos que não estamos bem, mas em algum momento percebemos. Demora um tempo muito maior pra decidirmos o que fazer em relação a isso, às vezes fazemos. Como nossas mudanças são lentas, nos acostumamos a elas. Mas quase sempre nossas mudanças físicas, de humor e interesse acabam não traduzindo o que nos acontece inconscientemente. Quero dizer, percebemos que mudamos, mas parece, ao mesmo tempo, que nada mudou. Há um desnível entre aquilo que sinto que mudou e aquilo que está como sempre esteve. Esse desnível entre o que percebo que mudou e aquilo que está como sempre esteve, explica nossa insatisfação, nossa impressão de que vivemos a vida com o freio de mão puxado. Isso por que a vida exterior, o que faço, o que acredito, as pessoas com quem me relaciono, minha maneira de organizar a vida, não estão de acordo com as necessidades do seu Eu mais profundo. Eu profundo é aquilo que você é verdadeiramente; em outras palavras, é o seu destino.…

Descubra quem és, e pare de sofrer

Por Luciano Alvarenga
É muito comum as pessoas esquecerem a própria história, isto é, dos momentos em que foram vitoriosas. A maioria de nós prefere concentrar-se no que perdeu, na vida que não teve, nas dificuldades que enfrentou, nas puxadas de tapete que sofreu. Pensar no que se perdeu é não perceber o que se ganhou. Aliás, na vida a própria ideia de ganho e perde não faz sentido. Nada é seu, a não ser o aprendizado que acumula, a sabedoria que amealha desse aprendizado acumulado. Mas vamos lá. Se você chegou até aqui, então fez por você muito mais que consegue ver. Se estiver sofrendo agora, é por que superou sofrimentos anteriores. Se a vida não lhe deu o que você quis, é por que não era seu o seu querer. Se for seu e não se realizou, você não estava preparado pra alcançar o que desejava. A vida continua, e o que somos hoje não é mais o que éramos antes. Mudamos. Segundo estudiosos, nosso corpo não é o mesmo a cada sete anos. Todas as nossas células, TODAS, morrem e se transformam a…

Travessia

Por Luciano Alvarenga Foi em 2012 que comecei a me dar conta de que precisava mudar. E como toda mudança, começa aos poucos e devagar. Estava na campanha eleitoral e responsável por estar com o candidato a prefeito durante sua agenda diária. Na primeira semana percebi, fisicamente, que estava acima do peso e permanentemente cansado. No mesma semana comecei a comer apenas salada e grelhado. Dois anos depois estava sete quilos mais leve. Nesse tempo percebi que comia muito além do que um professor universitário precisa pra se manter saudável. Mais leve, minha consciência pesou. Percebi que vivia sem alegria, minha interface com as pessoas, as de perto e de longe, se dava no apontamento apenas de que o mundo não valia apena. De repente, notei que não sabia quem era. A única coisa que sabia de mim estava ligada ao meu trabalho de professor e sociólogo. Minha vida não fazia mais sentido. Desde o tempo de minha adolescência acreditava que precisa manter as coisas a minha volta sob meu contro…